Shaktismo

“Quando Deus Era Mulher”, de Merlin Stone, tem sido minha meditação diária. Um livro que pulsa perguntas, provoca a alma e abre espaços profundos de reflexão.Refletir sobre o que enfrentamos — seja enquanto mulheres, oprimidas por um sistema patriarcal, seja…

“Quando Deus Era Mulher”, de Merlin Stone, tem sido minha meditação diária. Um livro que pulsa perguntas, provoca a alma e abre espaços profundos de reflexão.
Refletir sobre o que enfrentamos — seja enquanto mulheres, oprimidas por um sistema patriarcal, seja enquanto homens, muitas vezes perdidos diante da ruptura de antigos paradigmas — é, no fundo, olhar para a alma humana tentando se reconectar com sua origem.
Segundo as pesquisas da autora, houve um tempo em que o mundo era guiado por uma visão matriarcal. A mulher era reconhecida como guardiã da terra, iniciadora da agricultura, da linguagem, da escrita e da organização social. O saber feminino não era silenciado — era reverenciado.
Naquele tempo ancestral, as mulheres tinham plenos direitos: possuíam terras, negociavam, decidiam os rumos da comunidade. A herança passava de mãe para filha — e o homem só tinha acesso a ela se demonstrasse fidelidade e devoção à mulher da casa.
Isso me desperta uma pergunta inquietante: será que o patriarcado, ao se instaurar, apenas reproduziu um modelo já existente — porém esvaziado do seu princípio de cuidado e conduzido com mais rigidez? Talvez com uma força mais bruta, moldada não apenas pela estrutura física masculina, mas por uma desconexão com o sagrado.
Esse mesmo pensamento me leva à filosofia do Shaktismo, uma linhagem ancestral do sul da Índia que honra a Deusa como manifestação suprema do divino. Para essa visão, a mulher é a expressão mais pura da Shakti — a força que move, sustenta e transforma todo o universo.
No Shaktismo, é o calendário lunar — e não o solar — que guia os ciclos da existência. A conexão com o feminino é central, mas não em oposição ao masculino. É uma via de união. Um caminho onde a alma pode florescer além das polaridades, transcendendo os jogos de poder, controle e submissão.
Porque enquanto enxergarmos o mundo apenas pelas lentes da dualidade — homem/mulher, certo/errado, luz/sombra — seguiremos limitados. Somos muito mais do que um papel social, do que uma identidade de gênero. Somos alma em movimento, consciência viva, expressão única do divino.
E a alma…
A alma se manifesta de infinitas formas.
Permita-se ser todas as suas faces.
Permita-se sair do controle.
Permita-se lembrar.

Wal Nunes

Posts recentes

Compartilhe esse post

Facebook
WhatsApp
Email

Aqui está mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *