Samadhi

O Samadhi está próximo para aqueles que verdadeiramente anseiam por ele. Essa frase, presente no primeiro capítulo do Yoga Sutras de Patañjali, o Samadhi Pada, descreve o caminho da prática do Yoga e seus objetivos mais elevados. No entanto, quando…

O Samadhi está próximo para aqueles que verdadeiramente anseiam por ele.

Essa frase, presente no primeiro capítulo do Yoga Sutras de Patañjali, o Samadhi Pada, descreve o caminho da prática do Yoga e seus objetivos mais elevados. No entanto, quando penso em Samadhi, ele me parece algo distante—um estado reservado a seres iluminados, livres de desejos , relacionamentos e boletos.

E quando olho para mim e para minha prática pessoal, sinto-me pequena diante desse conceito. Às vezes, tudo o que desejo é aprender a lidar com minhas emoções confusas e com a criança ferida dentro de mim, que insiste em buscar aquilo que já conhece.

No ano passado, um livro me ajudou a enxergar com mais clareza os padrões repetitivos que carregamos desde a infância. Esses padrões, que se formam até os sete anos, muitas vezes parecem definir nosso destino. E isso me fez questionar profundamente minha prática espiritual: será que, mesmo com tanto esforço, conseguimos nos libertar desses condicionamentos tão enraizados?

O Yoga tem sido minha ferramenta para reconhecer e transformar tudo isso. Mas percebo que nós, profissionais das terapias integrativas, muitas vezes cometemos o erro de acreditar que podemos “curar” essa criança ferida. Segundo o psiquiatra Dr. Steve Peters, autor de “The Chimp Paradox”, não há nada a ser curado—precisamos, na verdade, treinar essa criança interior a adotar novos comportamentos e respostas à vida.

Nessa busca incessante por Pratyahara (o recolhimento dos sentidos), me perco no embate entre meu eu criança e meu eu adulto, que tantas vezes não me permitem ser inteira. É um desgaste de energia, um jogo interno exaustivo. E, em meio a tudo isso, às vezes penso que a ideia de iluminação foi inventada por quem é claro nunca teve boletos para pagar—na vida real, ela parece algo praticamente impossível.

Mas calma… essa só é uma parte de mim, conversando com outra parte minha, minha criança interior, que se revolta com tudo, ás vezes.

O que importa é que encontrei caminhos para navegar esse caos. E quero compartilhar mais desses diários de meditação com vocês, porque acredito que a jornada espiritual não é sobre alcançar a perfeição, mas sobre aprender a viver com autenticidade e compaixão.

Amo vocês.

Wal Nunes

Namastê. 🙏✨

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