{"id":4803,"date":"2025-08-03T17:36:46","date_gmt":"2025-08-03T20:36:46","guid":{"rendered":"https:\/\/studiointegral.com.br\/?p=4803"},"modified":"2025-08-03T17:38:25","modified_gmt":"2025-08-03T20:38:25","slug":"shaktismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/studiointegral.com.br\/index.php\/2025\/08\/03\/shaktismo\/","title":{"rendered":"Shaktismo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Quando Deus Era Mulher&#8221;, de Merlin Stone, tem sido minha medita\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. Um livro que pulsa perguntas, provoca a alma e abre espa\u00e7os profundos de reflex\u00e3o.<br>Refletir sobre o que enfrentamos \u2014 seja enquanto mulheres, oprimidas por um sistema patriarcal, seja enquanto homens, muitas vezes perdidos diante da ruptura de antigos paradigmas \u2014 \u00e9, no fundo, olhar para a alma humana tentando se reconectar com sua origem.<br>Segundo as pesquisas da autora, houve um tempo em que o mundo era guiado por uma vis\u00e3o matriarcal. A mulher era reconhecida como guardi\u00e3 da terra, iniciadora da agricultura, da linguagem, da escrita e da organiza\u00e7\u00e3o social. O saber feminino n\u00e3o era silenciado \u2014 era reverenciado.<br>Naquele tempo ancestral, as mulheres tinham plenos direitos: possu\u00edam terras, negociavam, decidiam os rumos da comunidade. A heran\u00e7a passava de m\u00e3e para filha \u2014 e o homem s\u00f3 tinha acesso a ela se demonstrasse fidelidade e devo\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher da casa.<br>Isso me desperta uma pergunta inquietante: ser\u00e1 que o patriarcado, ao se instaurar, apenas reproduziu um modelo j\u00e1 existente \u2014 por\u00e9m esvaziado do seu princ\u00edpio de cuidado e conduzido com mais rigidez? Talvez com uma for\u00e7a mais bruta, moldada n\u00e3o apenas pela estrutura f\u00edsica masculina, mas por uma desconex\u00e3o com o sagrado.<br>Esse mesmo pensamento me leva \u00e0 filosofia do Shaktismo, uma linhagem ancestral do sul da \u00cdndia que honra a Deusa como manifesta\u00e7\u00e3o suprema do divino. Para essa vis\u00e3o, a mulher \u00e9 a express\u00e3o mais pura da Shakti \u2014 a for\u00e7a que move, sustenta e transforma todo o universo.<br>No Shaktismo, \u00e9 o calend\u00e1rio lunar \u2014 e n\u00e3o o solar \u2014 que guia os ciclos da exist\u00eancia. A conex\u00e3o com o feminino \u00e9 central, mas n\u00e3o em oposi\u00e7\u00e3o ao masculino. \u00c9 uma via de uni\u00e3o. Um caminho onde a alma pode florescer al\u00e9m das polaridades, transcendendo os jogos de poder, controle e submiss\u00e3o.<br>Porque enquanto enxergarmos o mundo apenas pelas lentes da dualidade \u2014 homem\/mulher, certo\/errado, luz\/sombra \u2014 seguiremos limitados. Somos muito mais do que um papel social, do que uma identidade de g\u00eanero. Somos alma em movimento, consci\u00eancia viva, express\u00e3o \u00fanica do divino.<br>E a alma\u2026<br>A alma se manifesta de infinitas formas.<br>Permita-se ser todas as suas faces.<br>Permita-se sair do controle.<br>Permita-se lembrar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Wal Nunes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quando Deus Era Mulher&#8221;, de Merlin Stone, tem sido minha medita\u00e7\u00e3o di\u00e1ria. 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